Web Radio Jesus Cristo Gospel: PMDB implode coalizão e governo usa cargos para tentar conter debandada

quarta-feira, 30 de março de 2016

PMDB implode coalizão e governo usa cargos para tentar conter debandada

Peemedebistas aprovaram em votação simbólica uma moção que recomenda a entrega imediata dos cargos para o governo

PMDB anunciou a saída oficial do governo de Dilma Rousseff nesta terça-feira (29)
Reprodução/Facebook PMDB - 29.03.16
PMDB anunciou a saída oficial do governo de Dilma Rousseff nesta terça-feira (29)
O PMDB anunciou nesta terça-feira (29), o rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff e decidiu que seus filiados terão de entregar os ministérios e os cerca de 600 cargos que ocupam no Executivo nas próximas duas semanas. A decisão do principal partido da coalizão governista, ao lado do PT, praticamente implodiu a base de apoio do Planalto na Câmara dos Deputados e fez crescer o risco do impeachment para Dilma.
O gesto do PMDB pode ser seguido a partir de hoje por outros partidos da base, como o PP. O PSD também estuda se permanecerá ou não ao lado do Palácio do Planalto. Para tentar conter a debandada, o governo decidiu intensificar a liberação de cargos e de emendas.
A saída do PMDB foi sacramentada em uma reunião da Executiva Nacional do partido na Câmara que durou menos de cinco minutos e terminou aos gritos de "fora PT". A bancada do PMDB na Casa tem 68 deputados. Mas, por enquanto, nem todos assumiram que votarão pelo impeachment de Dilma.
Os peemedebistas aprovaram nesta terça-feira em votação simbólica uma moção que recomenda a entrega imediata dos cargos de filiados ao partido para o governo. Dos 127 votantes no diretório, 105 participaram do encontro - 82% do total.
"A partir de hoje, nessa reunião histórica, o PMDB se retira da base e ninguém no País está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB", anunciou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), responsável por comandar os trabalhos como 1º vice-presidente do partido, sob os gritos de "Brasil para frente Temer presidente".
O presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, não participou do evento, assim como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Defensor do rompimento desde julho do ano passado e réu no Supremo Tribunal Federal sob acusação de corrupção, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que "o PMDB foi apenas utilizado este tempo todo de aliança para votar as matérias que eles decidiram, nunca para participar da formulação de nada". Ele é responsável pela condução do processo de impeachment na Casa que comanda.
A avaliação da cúpula partidária é de que a decisão de romper com a gestão Dilma - há dez anos a legenda era formalmente ligada a governos petistas - foi o primeiro passo concreto para acelerar o andamento do impeachment. Primeiro, dentro do próprio partido. A ala separatista do PMDB calcula que a bancada do partido na Câmara tem 60 votos a favor do impeachment e os outros nove contra. Já os governistas do partido dizem que 30 votos são contra o impeachment e outros 30 são instáveis e acompanharão o lado que entendem que vão ganhar.
Outros partidos
Os parlamentares do PP, legenda que tem a segunda maior bancada da Câmara e que conta com o Ministério da Integração Nacional, se reunirão nesta quarta com o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), para discutir um eventual rompimento.
Com isso, a cúpula do PMDB avalia que deverá aprovar até meados de abril a abertura do processo contra a petista com placar de 380 votos - o mínimo necessário são 342 dos 513 deputados. Em seguida, a intenção é, sem oposição de Renan, referendar a decisão de julgá-la no Senado no fim de maio, quando Temer já poderia começar a governar.
Para aliados de Temer, os ministros Mauro Lopes (Aviação Civil), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Helder Barbalho (Portos) devem seguir a decisão de Henrique Eduardo Alves, ligado ao vice e que nessa segunda-feira (28) se antecipou à decisão do PMDB e pediu exoneração do cargo de ministro do Turismo.
Braga e Barbalho pediram à direção para não entregar o cargo agora a fim de concluir projetos nas respectivas pastas. Dos outros três ministros do PMDB, Kátia Abreu (Agricultura) não decidiu se ficará ou não no governo. Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde) demonstraram disposição de continuar nos cargos, mas o partido deve punir quem permanecer.
Veja os ministérios do PMDB
Henrique Eduardo Alves ocupou durante 11 meses o cargo de ministro do Turismo. Ele anunciou sua demissão no dia 28 de março. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil - 16.03.16
Kátia Abreu comanda o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento desde janeiro de 2015, quando teve início o segundo mandato de Dilma. A ministra defende que o PMDB não deve sair do governo e é alinhada com Dilma. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Mauro Lopes tomou posse do Ministério da Aviação Civil no dia 17 de março. Na ocasião, ele foi ameaçado de expulsão do PMDB por contrariar decisão do partido de não assumir cargos no governo. Foto: José Cruz/Agência Brasil - 17.03.16
Helder Barbalho assumiu em 6 de novembro o Ministério dos Portos. Antes, ele estava no comando do Ministério da Pesca. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil - 24.02.16
Marcelo Castro é ministro da Saúde desde 5 de outubro de 2015. Castro é um dos que argumentam que ainda não é hora do PMDB sair do governo. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS
Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, assumiu o cargo em 2015, quando teve início o segundo mandato da presidente Dilma. Foto: Agência Brasil
Celso Pansera é o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação desde outubro de 2015. Ele é um dos defensores da permanência do PMDB no governo. Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
Henrique Eduardo Alves ocupou durante 11 meses o cargo de ministro do Turismo. Ele anunciou sua demissão no dia 28 de março. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil - 16.03.16

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